Mesmo diante de tanta frustração, vivendo uma vida castrada; Raquel mantinha seu coração batendo não somente por que Deus assim o quis mas por haver nela uma força interior que somente muitos anos depois viria a descobrir que tinha. Compartilhava com o espelho da penteadeira no quarto de sua mãe, todas as suas indagações sobre a vida, enquanto ouvia música clássica. Ao ritmo dos instrumentos, penteava seus longos cabelos castanhos e chorava. Muitas vezes sua mãe flagrou-a assim e mesmo diante dos olhos interrogativos dela, nada dizia. Não dizia por absoluta falta de ciência sobre os motivos! Hoje, quando se lembra disso, ela chega a pensar se aquelas lágrimas não foram como que um prenuncio do peso, do que aquele nome "Nena" viria a significar em sua vida. Menina meiga, preocupada com "o outro" desde sempre...sua vida foi estar rodeada de outras garotas ( os ) que vinham até ela pedir conselhos, desabafar...Muito jovem, sem dúvida..mas quanta sensatez! Entre os meninos era muito popular mas sempre foi muito seletiva e com isso, enquanto crescia, nunca teve muitos relacionamentos; porém os que viveu, viveu intensamente. Ela soube amar sem medo e isso de uma forma plena, ou seja, a todo aquele que dela se aproximasse. Sofreu, e não foi pouco. Mas o que tinha dentro de si para dar, não se detinha facilmente. Devido aos conflitos familiares que enfrentou por mais de duas décadas, Raquel, esqueceu-se dela mesma a tal ponto, que só começou a trabalhar efetivamente aos 22 anos. Havia nela uma timidez já esperada e sem dúvida, sair do casulo se constituiu um imenso desafio. Mais uma vez ela se descobriu forte e venceu as barreiras do ingresso ao mercado de trabalho. Tornou-se uma ótima funcionária! E foi nesse ambiente, que ela veio a conhecer aquele que mais tarde se tornaria seu marido; o pai dos dois filhos que tiveram. Fazia parte dos três sonhos que ela mantinha a ilusão de realizar, o casamento. Poderia, pelo exemplo que viveu em família ser ela totalmente avessa ao casamento, mas não; almejava do fundo de sua alma amar e ser amada e acreditava que o amor era capaz de enfrentar qualquer barreira, qualquer dificuldade...tudo, desde que fosse um legítimo amor. Depois de algumas decepções, lá estava ela perdidamente apaixonada por aquele colega de trabalho. Cega, como o ditado diz, ela não quis ver, não dimensionou a respeito do que já se podia ver, seria uma união fracassada. Seria necessário mais que um Blog para conter os detalhes dos cinco anos desse sofrido namoro em que ela colocou o que sentia acima da razão e assim sendo, a vida, muitas vezes de forma incompreensível, colaborando, levou-os até o casamento. Casar-se levando em conta o grande amor que sentia, já a principio lhe custou mudança radical em sua vida. Deixou sua cidade natal, família amigos, trabalho...mudou seu estado civil de casa, de cidade e até hoje se pergunta porquê teve que pagar um preço tão alto para viver um sonho tão simples e bem intencionado. Raquel deixou para trás TUDO! Incluindo sua pouca felicidade. Nunca mais foi feliz desde então...
domingo, março 03, 2013
Quando Raquel não se sabia "Nena", sua vida era insípida e vaga, dentro do universo que sonhou. Sua realidade? Essa sim tinha cores bem definidas,embora fossem manchas desbotadas sem deixar de aparecer. Era sua única espécie de vida conhecida debaixo do sol, sendo que dá lua nada tirava...mesmo nas noites em claro que passava a espera de seu pai, onde por vezes, ela se via vagando pela madrugada sem sair do lugar, bem mais boêmia do que ele próprio. Assim seguiu sua infância, entre "nãos", proibições e criticas que claro, desprovida de egoismo como era do seu ser, ela sofria ao sentir que não era a única atingida pelo caos, daquele que devia ser o abrigo contra as tempestades - seu lar. Mas é o porquê desta canção? Há um longo caminho a ser percorrido, para que se chegue próximo desse entendimento. E sem querer desanimar a quem lê, nem eu mesma cheguei ainda a plena compreensão do que pretendo compartilhar com vocês!
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